O que fazemos com o que recebemos
- Igreja Batista Soul
- 30 de jul.
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Atualizado: há 23 minutos
Todo mundo carrega alguma coisa: uma habilidade que flui sem esforço, uma sensibilidade para escutar, um jeito de acolher ou organizar. O desafio real não é descobrir o nome disso, é decidir o que fazer com aquilo que já se tem em mãos.

O dom não nasce de mérito. Existe a tentação de tratar o dom como prêmio, como se dependesse de esforço ou consagração para ser mantido. Por isso surgem frases como "perdeu a unção", que confundem graça com performance. O dom é presente, irrevogável, e não se retira quando o humor muda ou o dia começa torto.
Dom espiritual e talento natural vêm da mesma fonte. Separar essas duas categorias, colocando profecia numa prateleira mais alta que administração financeira ou culinária, é uma divisão artificial. A capacidade de gerir dinheiro tem tanto valor quanto o dom de falar publicamente. O critério nunca foi a categoria, foi sempre o uso.
Talento nato e talento construído chegam ao mesmo lugar. Alguns nascem com facilidade evidente, outros constroem a mesma competência com repetição e disciplina. Um coração ensinável importa mais do que a espontaneidade de quem nunca lapida o que recebeu.
Servir independe do estado emocional. Adiar um gesto de cuidado porque "não está bem espiritualmente" esquece que quem precisa daquele gesto continua precisando, independente de como o outro amanheceu. O valor do serviço não está atrelado ao clima interno de quem serve.
Dom não é autoridade. Quanto mais visibilidade uma pessoa ganha, maior a tentação de transformar talento em poder, escondendo dureza atrás de frases bonitas tiradas de contexto. O dom continua sendo ferramenta de serviço, nunca de hierarquia.
O medo de errar enterra dons. A insegurança, a comparação com quem parece brilhar mais, a lembrança de uma crítica antiga, tudo isso empurra talentos para uma gaveta. Vale perguntar de vez em quando: o que estou fazendo com o que recebi?
Servir é caminhada, não evento isolado. Não exige uma vocação espetacular para começar. Começa simples: uma habilidade oferecida sem alarde, uma disponibilidade recorrente, mesmo que pequena.
No fim, a pergunta que fica é sempre a mesma: o que você tem em mãos, e o que está fazendo com isso?

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